quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O sofrimento do primo rico também é nosso sofrimento

Por Jean Vernek

O Brasil surfou, nos últimos dez anos, numa onda de prosperidade estrangeira. O mundo todo ia bem, o Brasil também. Agora, o mundo todo vai mal. Embora, até por razões provincianas, os nossos "mercados" não estejam tão expostos às "exuberâncias irracionais" dos primos do norte (grandes sopradores de "bolhas"), a verdade é que a nossa economia é absolutamente dependente dessa cadeia de valores que eles manejam e do seu sistema de produção e consumo tanto direta, como indiretamente.
O que aconteceu nos Estados Unidos, a "criação" de riqueza a partir do nada, só não aconteceu no Brasil em função de um certo "ranço" cultural em relação às hipotecas e mesmo até em função de um certo "desgoverno". Não foi por prudência que as nossas "autoridades" sempre relegaram o problema do déficit habitacional, governo atrás de governo.
Quem acompanhou, e acompanha os vários escândalos ligados aos nossos BNH's, SFH's e congêneres, sabe do que estou dizendo. Estamos mais que escolados nessa história de contratos "feitos pra não serem pagos" e nos eternos combates entre o sistema e os "mutuários da casa própria" que, depois de muitos anos pagando as suas prestações, chegam à constatação de que, quanto mais pagam, mais estão devendo.
A distinção fundamental é que, lá, se morre o cão morre a raiva, então, se o mutuário devolve o bem, a sua dívida está saldada e é o banco quem tem que correr atrás de vender o bem que o mutuário está devolvendo, por qualquer preço. Aqui, se o mutuário devolve o bem, este vai a leilão e, se o valor auferido não cobre a dívida, o infeliz que "acreditou" continua devendo a diferença até o total adimplemento. Ainda que se atribua a esses "contratos não cumpridos" e, portanto, às assim denominadas "hipotecas subprime" (sem garantias), as causas da catástrofe financeira americana, a verdade caminha mais à frente e reside na particular maneira das assim chamadas "economias desenvolvidas" lidarem com o dinheiro. O rolo todo se complica quando, baseados nas "subprime", os conglomerados financeiros começaram a girar "Derivativos" e "Alavancar" as suas linhas de crédito.
Essas duas palavras, "Derivativos" e "Alavancagem", são as verdadeiras causas de todas essas angústias que agora estamos vivendo.

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